quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A vós

Por tudo o que convosco aprendi.
Sei que nunca nos despedimos do que soubémos amar!
A vós e a todos os outros que aqui não estão as folhas deste meu "caderno de campo".

Em Sines, terá lugar º 2º Encontro de História do Alentejo Litoral

Nos próximos dias 28 e 29, no Centro Cultural Emmerico Nunes, terá lugar o Encontro de História do Alentejo Litoral, com comunicações de inúmeros especialistas da área da Arqueologia, História e Património Cultural.

Aproveite e visite o Castelo de Sines, as cetárias romanas das suas imediações, e vá até ao Forte do Pessegueiro.

Se puder, de regresso, visite as Ruínas Romanas de Miróbriga.
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sábado, 21 de novembro de 2009

Vamos lembrar Tróia hoje?

Cetárias e Columbário ao longe

Venha daí Esmeralda ...

Deixar também o seu testemunho ...

Península de Tróia, 2004



Ao longo deste areal, por mais de dois quilómetros ao longo do rio Sado, se estendem os restos da cidade industrial romana ...

No Inverno adensa-se o nevoeiro, mas é forte o madrugar entre os vestígios semeados na areia e um frio que corta as mãos.

Fotografia (e seguintes): Esmeralda Gomes, arqueóloga que aí tanto trabalhou também a quem
faço um repto ... venha daí contar um pouco do que por ali viu e aprendeu! Pode usar este lugar de "arrumação de gavetas".

Aqui deixei o meu testemunho, bem como em: http://mulheresaoluar.blogspot.com/ Maio de 2009.

Península de Tróia, 2004

Ar ruínas estendem-se até junto à base dos fusileiros ...
bases de coluna, telhas, muros, poços, paredões dão-nos ao longo dessa praia a dimensão das ruínas ...

Ruínas de Tróia: A Caetobriga romana?

Dedico este trabalho a todos os arqueólogos que trabalharam em Tróia e que lhe dedicaram atenção.
À nova equipa que se encontra neste momento a efectuar trabalhos arqueológicos em Tróia, coordenada pela Doutora Inês Vaz Pinto, vai o meu desejo de muitos e profícuos resultados.



Desenho: Dario de Sousa, MNA. Lx.




















TRÓIA, A CAETOBRIGA DOS ROMANOS?

Durante muito tempo, Tróia foi identificada com a Caetobriga de Ptolomeu e do Itinerário de Antonino (século III d.C.), sendo a ela conotada tanto por André de Resende como por muitos dos arqueólogos que aí trabalharam até ao século passado. No entanto, os recentes resultados de escavações promovidas em Setúbal vieram corroborar a opinião que Caetobriga fosse, efectivamente, a cidade que seu origem à actual Setúbal e não Tróia.

Gaspar Barreiros‚ o primeiro autor que faz referência a Tróia, " a qual Troia cuidaram alguns ser Salacia", sustenta serem as ruínas de Tróia os vestígios da cidade de Cetóbriga, de cujo nome derivam igualmente o nome da península e o da cidade que se ergue na outra margem - Setúbal. Setúbal, segundo o mesmo autor, "...reteve o nome corrupto de Cetobrica, o qual nome de Cetobrica se corrompeu em Cetobra e depois em Tria onde ela foi".
Refere-se este autor aos tanques de salga de peixe de Tróia como:"salgadeiras em que se curava o peixe."
André de Resende, escritor e "arqueólogo" quinhentista, aí realizou as primeiras pesquisas de que há notícia. Como umas das figuras mais proeminentes do Humanismo Português, não será de admirar a curiosidade e fascínio que todos os testemunhos do passado clássico tenham exercido sobre este escritor. Na sua obra "De Antiquitatibus Lusitaniae", Liv.IV - "De Cetobriga" retoma a argumentação de Gaspar Barreiros, afirmando: "Corrumpi coepit nonem in Cetobram, quam postea multo corruptius vulgos ineruditum triam fecit".

No início do século XVII, Fr.Bernardo de Brito retoma a mesma identificação escrevendo:"nos tempos antigos florescera na povoação de Cetobriga a que os moradores da terra chamam Troia".

Duarte Nunes de Leão, por sua vez, refere-se-lhe da seguinte forma:"Cetobriga que vieram corromper o nome de Setúbal para onde passou, foi também situada em uns areais onde chamam agora Troia".

Muitos autores insistem nesta identificação, de João Batista Lavanha a Frei António de Santa Maria, Carlos Ribeiro, entre outros. João Batista Lavanha na sua "Viagem da Catholica Real Magestade del Rey D.Filipe II a Portugal", de 1622, diz que:" Setuval. He hua das maiores, & mais assinaladas villas de Portugal, por causa do seu porto formado do Rio Cadão, que alli entra no Oceano, & de huma lingua de terra que o mar ha estreitado. Nesta lingua de terra que fica de fronte da villa, ouve na antiguidade hua povoação chamada Cetobriga .... onde ainda oje se vem os vestigios de tanques em que se salgarão os atuns, & outros pescados, & aparecem as ruinas de outros edificios de aquella cidade, & dellas se tirão estatuas, columnas, & muitas inscripções, que entre outras antiguidades dignas de eterna memoria se conservão na casa do duque de Aveiro".
A estas ruynas chama o vulgo Troya com que quer dar a entender que são da povoação que alli ouve".

Em 1895, José Leite de Vasconcelos faz uma reflexão sobre este assunto e considera a identificação despropositada sob o ponto de vista linguístico:" Troia nada mais ser do que uma designação litteraria dada anteriormente ao seculo XVI às ruínas; para afirmar isto, fundo-me em que não são estas ruinas as unicas assim denominadas: no termo de Chaves ha outras ruinas a que se dá o mesmo nome de Troia".

A partir de 1957, volta a reacender-se o problema da localização de Cetobriga, uma vez que as escavações que o Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal revelaram a existência de um importante centro urbano da época romana. Tinha sido finalmente localizada a Cetobriga dos Romanos!

Em 1960, José Marques da Costa em "Novos Elementos para a localização de Cetobriga diz a propósito deste assunto: "Caíu, há muito tempo, no campo das hipóteses indefensáveis, não sem que, antes, durante séculos, tivesse sido aceite e divulgada como verdade averiguada e incontroversa. Hoje, vergada sob o peso da provecia idade de quase quatrocentos anos - motivo de aparente autoridade! - não passa de sobrevivência dos estudos arqueológicos do Quinhentismo, incipientes, simplistas e falhos de fundamento".

O designação da Tróia romana permanece, apesar de todas as pesquisas feitas, entre as quais muito se distingue Marques da Costa (arqueólogo que nada tem a ver com o homónimo acima mencionado), no início do nosso século, uma questão em aberto. Reconhecem os arqueólogos a possibilidade de o topónimo que hoje conhecemos ter conotação com a Tróia homérica, dado o seu desaparecimento misterioso e a sucessiva invasão que as areias fizaram às ruínas.



TRÓIA,SUA HISTÓRIA
AS PRIMEIRAS INTERVENÇÕES ARQUEOLÓGICAS



Crismon da Basílica Paleocristã de Tróia, segundo desenhos de Marques da Costa

















(Frescos da Basílica paleocristã de Tróia)

Retomando as referências a Tróia, de Setúbal, encontramos vários documentos datados já do século XVI.

De 1502 data um, através do qual a Ordem de Santiago dá o terreno de Troia, pertencente ao seu vasto domínio, em regime de sesmaria. Encontramos ainda um auto de visitação da mesma ordem à Ermida de Nª Sra.de Tróia.

Em 1700, Fr. Agostinho de Santa Maria refere-se, no Santuário Mariano, muito provavalmente ao "Templo Paleocristão" (que amanhaã irei de novo visitar) do seguinte modo:"sepultado na areia e debaixo dela um templo gentílico , com colunas e capitéis de que ainda tem um notavel fabrico"."

Ainda no século XVIII se encontram documentos sobre o emprazamento de Tróia, que, tal como o estipulado no de 1502, salientam: "fica de fora a pedra, que todos poderão tirar para fazerem casas e moinhos e os possuidores de sesmaria não poderão tolher a qualquer pessoa que a queira ir buscar". Esta regulamentação justifica-se pelo facto de não existir pedra em toda a Península e toda ela ser trazida pelos Romanos de diversificados locais, designadamente a Serra da Arrábida.

Este tipo de referências repete-se por todo o século XVIII, em registos notariais, o que manifesta a destruição progressiva, mas consentida, de que este sítio foi alvo desde o começo do século XVI.

As mais antigas escavações arqueológicas em Tróia datam do tempo da Infanta D.Maria, futura Rainha D.Maria I, e incidiram na zona residencial das ruínas, pelo que ‚ denominada essa zona, desde essa altura, como "Rua da Princesa". O espólio exumado nessas explorações foi totalmente disperso. À então Vila de Setúbal foi oferecida uma coluna e um capitel coríntio, reutilizado, mais tarde, como pelourinho, ainda hoje existente na Praça Marquês de Pombal, nessa cidade.

Em período posterior, em 1850, a Sociedade Arqueológica Lusitana iniciou aí trabalhos de que há relato e cujos Diários das escavações de Tróia, foram publicados na Revista Popular:

"Foi por entre todas essas festas e galas, sempre acompanhadas de um vivo enthusiasmo, nascido das mais seductoras esperanças, alimentadas e fortalecidas … sombra grandiosa da alta protecção de um monarca e de um duque notavel e poderoso, que a Sociedade Archeologica deu começo às escavações.
As primeiras foram effectuadas desde o 1º de Maio até 2 de Junho de 1850 e logo com optimos resultados, cujas not¡cias muito satisfizeram a El-rei e não menos ao Duque.
................
Em resultado das pequenas excavações feitas colheram-se muitas e diversas antigualhas romanas, mas não tendo podido ser collocadas no Museu de Setubal como determinavam os Estatutos, força foi que ficassem em poder de alguns socios em quanto, por falta de meios, não houvesse casa apropriada".



(A Rua da Princesa, segundo desenhos de Marques da Costa)

A Sociedade Arqueológica Lusitana tinha surgido em 1849, impulsionada pelo Padre Manuel de Gama Xarro e por João Carlos de Almeida Carvalho, a que se foram, a pouco e pouco, juntando outros estudiosos.

O primeiro Duque de Palmela, que visita as ruínas de Tróia, a convite desses estudiosos, em 1849, é também convidado a ser protector da Sociedade, qualidade que reclina para El-rei D.Fernando II, que virá a ser efectivamente o protector da Sociedade.

O Duque de Palmela profere em Setúbal um discurso em que afirma:

"Foi hoje a primeira vez que tive o gosto de visitar as ruínas da antiga Cetobriga e, pelos vestígios das construções que ali observei, fiquei sumamente esperançado de que grandes vantagens arqueológicas, científicas e artístiocas se podem obter por meio duma bem dirigida escavação, e da qual poderão resultar muita honra e vantagem para esta País e com particularidade para a Vila de Setúbal, sede desta respeitável associação.
Quando porém mesmo esses achados de preciosidades se não realizem de todo, ao menos sempre um grande proveito se tirar das escavações intentadas: descobrir-se-ão essas ruínas, marcar-se-á a sua extensão, e finalmente fixar-se-ão mais as ideias para se resolver um ponto de história e de geografia, que até agora não tem sido esclarecido pelos nossos escritores, história na verdade muito misteriosa, relativamente à fundação desta populosa cidade, cuja existência deve ser de mui remota antiguidade".

Em 1850, são publicados na Imprensa Nacional os Estatutos da Sociedade Archeologica Lusitana, Associação essa que se pode considerar a precursora da Real Associação dos Arquitectos e Arqueólogos Portugueses.

Mas a ela, voltarei outro dia, bem como a Marques da Costa, mas longo vai este apontamento ....




Desenhos a preto e branco: Marques da Costa

Regressei a Tróia, Grândola












"... as ruinas de Troia de Setubal constituem um enexgotavel manancial archeologico. Não dá dum passeio pela praia, não se mexe na areia, que não appareça alguma cousa. Oxalá que algum Ministro se amercie d'ellas! tanto mais que é uma vergonha que esteja a findar o seculo XIX, o seculo chamado das luzes, e Portugal deixe perder para sempre estes eloquentes vestigios de grandeza do seu passado. sem lhes prestar o culto que os povos civilizados prestam a tudo o que pode servir para aclarar os problemas históricos.

José Leite de Vasconcellos, Archeologo Portugês.


«Quando Tróia se afundou
três dias choveu areia
só um homem se salvou
no ventre de uma baleia».

Amanhã regressarei a outra Tróia, a romana, das salgas de peixe e das histórias contadas do Humanista André de Resende e de Fr.Bernardo de Brito, da Escola Historiográfica de Alcobaça, que retoma identificação de Tróia com a Caetobriga romana escrevendo: "nos tempos antigos florescera na povoação de Cetobriga a que os moradores da terra chamam Troia".(7)

Muitos autores insistem nesta identificação, como Duarte Nunes Leão, João Batista Lavanha e a Frei António de Santa Maria, Carlos Ribeiro, entre outros.
João Batista Lavanha na sua "Viagem da Catholica Real Magestade del Rey D.Filipe II a Portugal", de 1622, diz que:" Setuval. He huma das maiores, e mais assinaladas villas de Portugal, por causa do seu porto formado do Rio Cadão (9), que alli entra no Oceano, e de huma lingua de terra que o mar ha estreitado. Nesta lingua de terra que fica de fronte da villa, ouve na antiguidade huma povoação chamada Cetobriga .... onde ainda oje se vem os vestigios de tanques em que se salgarão os atuns, e outros pescados, e aparecem as ruinas de outros edificios de aquella cidade, e dellas se tirão estatuas, columnas, e muitas inscripções, que entre outras antiguidades dignas de eterna memoria se conservão na casa do duque de Aveiro".
A estas ruynas chama o vulgo Troya com que quer dar a entender que são da povoação que alli ouve".

Regressarei a uma «Rua da Princesa», assim denominada porque D. Maria, rumando ao Pinheiro, aqui passou e resolveu desembarcar para conhecer os restos de Latinos, tendo identificado uma zona residencial; voltarei à Real Sociedade Archeologica Lusitana, cujo patrocinador, o Duque de Palmela, permitiu que as escavações aí se incrementassem e aos desenhos das mãos do oitocentista Marques da Costa, que tão pormenorizados até parecem efabulação.

Voltarei às «Minhas Memórias de Tróia», retomando um velho tema adiado, mas agora, certamente, enriquecido porque será mais partilhado.

Aos desenhos de grandes caricaturistas portugueses que colaboraram com José Leite de Vasconcelos, certamente porque era mais uma forma de prover o sustento, desenhos esses que o Museu de Arqueologia ainda conserva, bem como às primeiras fotografias que a Arqueologia Portuguesa viu, nas mãos de M. Apolinário.

Regressarei à Tróia do relevo mitraico, divindade de militares vinda do Império Oriental, que o Cristianismo acabou por banir. Espreitarei, de novo, sim, o relevo mitraico que, embora sendo o único exemplar em território nacional, andou por destinos perdidos durante décadas e regressarei outrossim ao templo paleocristão.

E às sepulturas tardias de mansae, exemplares também raros e de que apenas existe um paralelo em toda a Península, onde deitados os comensais partilhavam com os seus mortos alimentos e vinho com mel.

Regressarei à Tróia de poços, cisternas e reservatórios de água, para servir unidades fabris, bem como os balneários com os seus tanques tépidos e quentes e com os seus mosaicos que, alindando o espaço, permitiriam esquecer cheiros fétidos a peixe e dias suados de labor.

Voltarei às unidades fabris que parecem não acabar ...quilómetros de praia cheios de cetárias, de que ainda se não conhece bem a organização.

Rumarei ao Columbarium, esse lugar de sossego dos mortos que ocupa o espaço já desactivado de fábricas abandonadas e às sepulturas que se vão juntando em seu redor, transformadas as unidades fabris em lugares de solidão, pela crise anunciada de um Império a ruir.

Regressarei ainda à sepultura em forma de cupa que se implantou junto às termas e à sepultura da Galla, cujo desenho, dos mais belos que já vi, também se encontra no Museu Nacional de Arqueologia.

Para já, vão apenas informações gerais sobre este fantástico Sítio Arquológico:

Ruínas de Tróia, classificadas como Monumento nacional pelo Dec-Lei de 16 de Junho de 1910
Z.E.P. e área non aedificandi (DG,II Série, nº155 de 02/07/69), cujos limites precisos foram definidos na Portaria nº40/92 de 22 de Janeiro

Localização : Extremo da Península de Tróia, Setúbal (Concelho de Grândola)

Caracterização: Trata-se de um dos mais interessantes conjuntos fabris de conserva de peixe do Império Romano conhecidos em território peninsular, construído nos inícios do século I d.C. e que deve ter laborado até aos séculos IV/V d.C.

Para além dos tanques de salgas, estão identificadas uma área habitacional, conhecida por «Rua da Princesa», umas termas ou balnea, três necrópoles e um Templo Paleocristão que preserva ainda o revestimento com pinturas a fresco.


Voltarei a Tróia, sim, mas hoje vou-me deixar levar pelo sono que o sol do dia me permitiu ter ...
com a alegria de saber que tanta coisa, finamente, se está a reiniciar.
À Inês Vaz Pinto e sua equipa, à IMOAREIA os meus parabéns!

E adormecerei esta noite com a descrição de Tróia de Hans Christian Andersen:

«No cais havia grandes barcos de pesca; quem quisesse, podia dar uma volta e visitar a Pompeia de Setúbal - Tróia, a aldeia de pescadores, enterrada mas parcialmente escavada (...).
Voltámos para trás, não em direcção a casa mas rumo ao canal para vermos os restos de Tróia, a cidade enterrada na atreia. Foi fundada pelos Fenícios; desde então, os Romanos viveram aqui e recolheram o sal da mesma maneira que ainda hoje é usada, tal como o testemunham as grandes ruínas. Em tempos idos, a entrada domar devia ser para leste; a entrada actual foi quebrada por uma grande inundação, que acabou por a bloquear com areia. Os seus habitantes foram todos obrigados a fugir; acredita-se que inicialmente procuraram as montanhas e fundaram a povoação que agora é Palmela, mas mais tarde dirigiram-se para baixo, para a costa, onde fundaram Setúbal, ainda existente.
(...) Onde quer que puséssemos o pé em terra, havia grandes pilhas de pedras amontoadas, restos de lastro de navios que traziam as suas cargas de sal para a baía. Desta forma, havia ali pedras grandes e pequenas vindas de todas as artes do mundo - da Dinamarca e da Suécia, da Rússia e também da China. Podia escrever-se uma longa história sobre elas(1). (...) Tinham começado a fazer uma grande escavação, que parara devido a falta de meios (2). Não se tinha ganho muito com isso, mas sinda assim podiam ver-se alicerces de casas, vários pátios, muros altos, restos de um jardim inteiro, com uma casa-de-banho parcialmente conservada, um chão de mosaico e paredes com lajes de mármore. mesmo dentro de água, havia fragmentos e pedaços de jarros antigos e até grandes muros de pedras».

(1) Julgo tratar-se de uma curiosa interpretação de H.C.A., se bem que a maioria das pedras que se encontram espalhadas por 2 km de extensão de costa são de origem romana, fruto da destruição das construções.

(2) Uma vez que a viagem de H. C. A. teve lugar em 1866, deverá estar a referir-se às escavações efectuadas pela Real Sociedade Archeológica Lusitana que teve, inicialmente, o patrocínio de D. Fernando e do Duque de Palmela. No entanto, já anteriormente se tinham feito "explorações" no tempo da infanta D. Maria.

1ª fotografia: Relevo Mitraico

terça-feira, 17 de novembro de 2009

No Espaço Vol em Serpa

No dia 24 de Novembro, pode ouvir-se Mário Zambujal falar do seu último livro «Uma noite não são dias».

domingo, 15 de novembro de 2009

Miróbriga

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

E o Alentejo ...

O Alentejo, esse lugar ... (actualizado)


À Mariana, minha filha, nascida no Alentejo, neta, bisneta, trisneta de Alentejanos, para que disso se orgulhe.

Ao Paulo pelas viagens feitas e que vou tentar contar.
















Talvez seja deste Alentejo que vá falar neste "caderno de campo" ou de apontamentos que aqui tenciono deixar-vos.
De viagens, muitas feitas em trabalho e outras percorridas no encalço de qualquer lugar que queria visitar.
Delas foram ficando rascunhos ou ideias soltas, que sempre pensei, um dia, ter tempo para arrumar.
Agora, completado-se já mais do que um ano do momento em que decidi atravessar a ponte, está na altura de as organizar.
Muitos textos serão reeditados ou retrabalhados, porque nem sempre a sua especificidade se apropria a um lugar como este.
Uma coisa é certa, dele farei o meu testemunho do que foram anos a ouvir histórias sobre sítios, sobre momentos vividos.
E partilharei, ao ritmo do que os serões me permitem, do que foi e é para mim o Alentejo e dos lugares ainda habitados pelas "margias".

Assim, fica a dedicatória ao meu Alentejo e aos que lhe pertenceram e pertencerão.
Porque tudo o que se viveu ninguém nos roubará, e não morrerá.
Se a Palavra fôr capaz de o contar e se a Palavra fôr capaz de resistir, mesmo quando nos quiseram calar ...












É grande, de facto, o Alentejo: o território onde se situam planuras e montanhas, onde se vê a seara ou o mar; onde se espalha o montado ou o trigo; o espaço onde sempre se semearam e semeiam gentes com histórias multi-seculares, testemunhadas nas marcas que foram deixando. Grutas com pinturas rupestres de que poderia citar os exemplos do Escoural ou os de Fronteira; as suas antas, disseminadas por todo o território, cujo exemplar do Zambujeiro é dos mais notáveis peninsulares; os seus povoados pré-históricos; as cidades e uillae rústicas ou ainda os uicus mineiros romanos de Aljustrel; ou os vestígios da ocupação islâmica que, em Alcácer, Ourique, Almodôvar ou em Mértola, entre tantos outros, podem falar-nos desses tempos remotos.



Villae romanas da Tourega, Évora, de S. Cucufate, Vila de Frades.

O Alentejo tem o maior concelho da Europa, Odemira, mas, no entanto, a desertificação deixou-se sobre ele abater, bem como sobre tantos outros concelhos da raia, do Baixo ou do Nordeste Alentejano, pese ainda se dizerem os seus Homens caçadores do que já nem na coutada há.



O Alentejo sente a perda das suas gentes e das actividades e ofícios que secularmente as ligaram aos lugares: a agricultura, a pastorícia, a mineração, entre tantas outras.






Mas o Alentejo mantém ainda, teimosamente, a qualidade dos seus lugares, sejam os seus núcleos urbanos ou os seus montes, a sua "arquitectura chã", os espaços religiosos ou sítios arqueológicos; a excelência dos seus produtos e dos seus recursos: a vinha que, já em período romano, permitiu que, em Vila de Frades, Vidigueira, se instalasse uma importante e rica casa agrícola e que, ainda hoje, teimosamente, copiam as parras de Paulo Laureano; os seus cavalos representados na villa romana de Torre de Palma, Monforte; ou os participantes das corridas no Hipódromo romano de Miróbriga, Santiago do Cacém; e ainda hoje os Lusitanos reproduzidos nos Serviços Coudélicos de Alter.

Em Alter, sobre a cidade romana, construirá a família real residência acastelada, ao que consta, para aí se dedicar a caçadas memoráveis, no espaço que hoje podemos visitar, pois em núcleo museológico se tornou.

E podemos lembrar o seu peixe, sempre presente na dieta alentejana, que os testemunhos romanos do centros conserveiros de Tróia, no concelho de Grândola, ou de Sines e da Ilha do Pessegueiro são exemplos; e os tunídeos que, menos hoje que ontem, continuam a fazer parte dos manjares litorais, bem como o cação, a partir do qual se faz uma das melhores sopas que o Alentejo produz, a par das sopas de cardos, de beldroegas, ou de tomate como só S. Manços tem, e que são pitéu celestial. (veja-se http://cano.com.sapo.pt/)




Ou ainda do peixe dos rios ou barragens, que são recursos e vias fundamentais do território. Achegãs levam às barragens famílias interias em Domingos soalheiros, se bem que o Alqueva cada vez mais lhes vá tirando lugar com sítio de lazer.



Nas suas malgas e potes de barro, sejam as de S. Pedro do Corval, do Redondo ou de outro lugar qualquer salgam-se as carnes para as linguiças e enchidos no geral, fazem-se sopas e servem-se cozidos de grão com borrego.
Em Nisa a água fresca guarda-se em peças cravejadas a pedrinhas, como em mais nenhum lugar há.







E lembrar os rios que fazem do Alentejo uma Mesopotâmia, melhor, uma triangulação entre o Tejo, o Sado e o Guadiana, fornecendo e escoando produtos: piscatórios do litoral; agrícolas e mineiros.

O Sado, essa única via que cruza o território de Sul para Norte, navegável até Alcácer até há bem pouco tempo, que em Alvalade ou em Alcácer permitiu ocupação desde a Pré-História, e o Guadiana, cuja navegabilidade transformou secularmente Mértola em lugar central, bem como o Mira que, na sua foz, é viveiro de ocupações de todas as épocas.
Os três permitiam a circulação de bens e a exploração agrícola dos seus vales.












Falar das suas águas, recurso mais escasso nos nossos dias, que permitiram irrigar os campos, fornecer os núcleos urbanos, e cujas estruturas hidráulicas são ainda visíveis nas inúmeras mães de água; poços; noras; azenhas, picotas e condutas pulverizadas por todo o Alentejo.

Mas ainda as suas barragens, cujo notável exemplo romano de Pisões permite testemunhar como, já em período romano, os "Barros de Beja" foram local privilegiado para a exploração agrícola.


A água e a necessidade de o homem se apropriar desse bem fundamental foi, desde sempre, preocupação no Alentejo, como é notório já em periodo romano, através da construção de inúmeras represas, a exemplo da de Pisões ou de Cuba, junto da Igreja de Nª Senhora da Represa, e a construção do Alqueva, nos nossos dias.
Mas poderemos ainda referir as águas termais que, também já conhecidas de latinos, continuam a permitir que repousem em Castelo de Vide tantos visitantes e pacientes.

Ou falar do seu azeite de excelência que, com o pão e o vinho, constitui a triologia mediterrânica que percorre o tempo connosco.
Esse mesmo azeite que já alimentou as lucernas romanas encontradas em grade depósito em Castro Verde, onde, por isso, se constituiu Museu.

Em Moura, como em tantos outros lugares, podemos através do seu lagar de varas apreender como eram essas tecnologias já perdidas de transformar a azeitona nesse outro líquido essencial, divino.



E lembrar os doces conventuais que o alentejano Alfredo Saramago tão bem deu a conhecer nas suas obras sobre a Gastronomia do Alentejo.
Esses doces que nos sussurram os segredos dos conventos, que, no caso particular de Évora e de Vila Viçosa, fruto das estadas e convivências com a corte, se foram gradualmente instalando, elegendo a cericá ou sericaia como um dos melhores que já comi, com ou sem a ameixa em calda que a Pousada de Elvas nele introduziu.






Ou da lã das suas ovelhas e dos tapetes e mantas que com elas se teceram: os de Arraiolos, cujas tinas de tinturaria provenientes de escavações relativamente recentes em pleno Centro Histórico vieram comprovar fabrico já em Época medieval; ou as mantas de Mértola que, com os seus pontos e as suas tramas, foram contando histórias seculares; e os pontos de Portalegre, heroicizados por muitos dos grandes criadores portugueses que para eles prepararam desenhos.
E desse borrego que para além de fornecer a lã quase substituiu, no período islâmico, a importância do porco alimentado a bolota que pasmou os Romanos.

Mas a coexistência do borrego e do porco proibido a Muçulmanos, mas do agrado de Romanos e Cristãos, acabou por manter-se, constituindo a dieta básica no Alentejo, motivo pelo que a sua morte do porco é consagrada ritualmente na "matança" com que se inicia o frio que conservará os alimentos, e também no borrego comido junto às barragens na Pascoela.


Da cortiça, industrialmente explorada desde o século XIX, que enrolha os melhores vinhos de Portugal e da Europa e que, na Serra do Cercal, permitiu também construir, na sua totalidade, casas de pequenos rurais e acentuar em Portalegre, com a instalação da Fábrica Robinson, a sua produção industrial.

O seu mel, manjar dos deuses, e que, ainda nos nossos dias, constitui produto de excelência em feiras nacionais e internacionais, pois as abelhas colhem dos campos em flor o néctar essencial.

Mas podemos ainda relembrar o papel que desempenham, ontem e hoje, os seus minerais; granitos, xistos, calcários e os célebres mármores de Estremoz e de Vila Viçosa, onde há testemunho de exploração de pedreiras desde o período romano.

Ou dos seus metais, conhecidos e explorados desde a Idade do Metais, como bem o refere o texto do geógrafo de origem grega Estrabão, cuja exploração mereceu, em Aljustrel, no período romano, regulamentação específica, e que, tendo mantido em S. Domingos, em Mértola, na Caveira e no Lousal, Grândola, grande parte da população, continua ainda hoje a fixar as gentes de Castro e de outros lugares.






E do seu património religioso, cruzando o tempo com matizes das épocas e dos lugares, num sincretismo particular, como, apenas a título de exemplo, podemos citar a cristianização das antas de S. Brissos ou de Pavia; o santuário de Endovélico em Terena, Alandroal; o templo romano de Santana do Campo, Arraiolos; ou da mesquita de Mértola.



Ou falar das suas torres acasteladas, como a Torre d'Águias ou do Esporão; dos seus castelos e fortificações, pré-históricas e históricas, com particular incidência nas de origem medieval, quer seja islâmica, como o notável exemplo de Alcácer do Sal, tampão estratégico do Sado, onde no interior do castelo se espelha uma história milenar, quer cristã, como é o caso do altaneiro castelo de Belver, Gavião, sobre o Tejo, o primeiro construído pela ordem dos Hospitalários, iniciado com o dealbar da nacionalidade, em 1194.

Ou também conhecer o imponente castelo medieval de Évoramonte, onde no seu interior se instala marcante edificação manuelina.

Mas ainda é possível reconhecer no Alentejo os bens de outras ordens religiosas, como é o caso dos Espatários, que dominaram praticamente todo o litoral, de Palmela a Odemira, vale de Santiago adentro, e a zona Meridional, até Mértola. As suas igrejas ou os seus marcos territoriais, simbolizados com a espada da Ordem e a vieira do caminhante de Santiago, são ainda os centros religiosos de muitas pequenas povoações desse extenso território.

Mas ainda dos Templários que, na Flor da Rosa, Crato deixaram um notável mosteiro, mandado erguer pelo pai do Contestável, D. Nuno Álvares Pereira.

As fortificações do Alentejo remetem-nos também para as convulsões de todas as épocas da História de Portugal: as da Reconquista e as das infindáveis escaramuças entre Portugueses e Espanhóis, de que os exemplares de Campo Maior ou de Elvas, onde estão presentes várias cronologias, são de salientar.

Ou aquelas onde se desenvolveram intra-muros ou fora de portas aglomerados urbanos que o tempo ajudou a consolidar e a expandir, como são, e apenas a título de exemplos, pois poderíamos citar centenas, Sines, Santiago, Montemor, Arraiolos, Monsaraz, Estremoz, Évoramonte, Marvão, Portalegre, Elvas, Serpa, Moura.





O Alentejo tem ainda a qualidade dos seus núcleos urbanos, sobranceiros ou de planura, de que a capital, Évora, a Liberalitas Iulia, fundada oficialmente por Romanos, mas de possível origem anterior, classificada como Património Mundial e que segundo Orlando Ribeiro «é a cidade mais bela de Portugal», é de excelência, podendo ainda vir a tornar-se mais, através da construção de um Amanhã que, retirando exemplo do Património de ontem, permita construir o património do Futuro.


Ou de Beja, a Pax Julia romana onde, séculos adiante, construiu edificação D. Beatriz, e onde, mais tarde, viveu , sofreu e escreveu as suas «Cartas Portuguesas» Mariana Alcoforado, no convento hoje conhecido por Museu Rainha D. Leonor.

Da história da ocupação da cidade nos fala, para além de todos os outros locais que em Beja nos permitem rememorar a sua evolução, o Núcleo Museológico da Rua de Sembrano recentemente inaugurado no centro histórico da cidade.


O Alentejo é tudo isso.



E principalmente o sincretismo o religioso pagão e cristão, que nem a Inquisição sediada em Évora conseguiu combater, e ainda o cante com que entoam as gentes, chorando e bailando com a luz que banha a planura.






Hoje choraria ao vê-los cantar.







Agradeço ao Joaquim Carvalho as duas fotografias de Ammaia.
Fotografia (pequena) Évoramonte: Wikipédia

Fotografia cericá: http://coisasimplesepequenas.blogspot.com

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Em Marvão e a propósito das castanhas ...




Pode participar da Festa do Castanheiro - Feira da Castanha, de 14 a 15 de Novembro.

Aproveite e visite a fantástica vila medieval alcantilada de Marvão, para mim uma das mais bonitas de Portugal e conheça a cidade romana de Ammaia, junto a S. Salvador de Aramenha, e o seu centro interpretativo.

Páre junto à entrada monumental da cidade latina e olhe em seu redor.
Marvão espreita no alto e o Parque de S. Mamede abraça toda a região.


Para melhores informações: http://www.cm-marvao.pt/


Sobre a castanha e o dia de S. Martinho:

http://mulheresaoluar.blogspot.com/


Fotografias gentilmente cedidas por Joaquim Carvalho

Lembrar hoje Beja




À Susana Correia
que nuns dias frios, quando Beja já tinha o Natal quase à porta, me mostrou os caminhos, as formas de chegar a uma casa quente.

Mais logo voltarei a Beja, uma das "paisagens de barro e de pedra" que aqui se tratarão ...


Dessa cidade que, quiseram uns, tivesse origem em estacionamento latino, mas que parece ter sido já lugar de escolha de ocupantes da pro-História, porque uma possível muralha da Idade do Ferro e materiais cerâmicos sidéricos o vieram comprovar.

Dessa cidade da Torre do Lidador.

Pax Iulia e Beja depois (actualizado).



















Imagens: Migas de espargos e de espinafres
Capitel de origem romana de Pax Iulia, Museu Distrital Rainha D. Leonor

Aí sim, onde hoje é Beja, parece terem os Romanos encontrado povos anteriores, apesar do nome que tinha a urbs latina, indiciando orgulhosamente fundação de raiz romana.

Mas não, pequenos fragmentos de cerâmica da Idade do Ferro Continental parecem comprovar que ali existiu povoamento precedente ao Romano.

No entanto, os capitéis de dimensão colossal, pertencentes a um templo, já do conhecimento de Abel Viana, mas que recentemente foia escavado pela Doutora Conceição Lopes da Universidade de Coimbra, vergam qualquer habitante de época anterior ao jugo da Roma Imperial.

Mas dela, esbatido o Império, ficará a memória de um Mediterrâneo uno, sob o olhar do Cristianismo inicial, que no núcleo visigótico da Igreja de Santo Amaro tem os seus melhores testemunhos.

Al-Mu Tamid, nado em Beja e senhor de Sevilha, fará, em período islâmico, da sua cidade motivo de versejar.

Mas, no século XII, Beja verga-se a um novo Senhor, e o Mundo Cristão imperará de novo. Santa Maria (da Feira), entre outos lugares de culto cristão da Reconquista, cantará a vitória sobre o universo "mouro".

D. Dinis proclamará, na torre do castelo, a visibilidade de um novo poder, sobre a seara onde dizem que se consegue imaginar o mar, criando-o sobre os barros que, já outrora, haviam sido o território vital, um novo olhar, um novo mundo do poder.

Nos conventos imperará nova aristocracia e para ela, para a segunda dela, sem herança e sem decisão, porque era universo de mulheres, nascerá o Convento de Nossa Senhora da Conceição, onde Soror Mariana, uns séculos mais tarde, de uma janela olhando o vazio do amor que não retornará, escreverá as cartas imortais da sua paixão.


À Susana Correia que um dia me mostrou Beja e à Conceição Lopes que aí tem também escavado nos últimos anos.

Gostarei de revisitar a Rua do Sembrano, onde a Susana me ensinou, um dia, a olhar os vestígios do tempo com outros olhos.

E porque tantas saudades ainda a planura me faz...

E já agora, conhece o Convento da Conceição, hoje Museu Rainha D. Leonor, em Beja?


Sabia que a sua construção se deve a D. Beatriz, conhecida como "Rainha Velha", ao que parece alcunha dada por Gil Vicente ? ...
Neta, mãe e sogra de reis, nunca foi rainha. Mas, mesmo assim, foi mulher de grandes posses e poder, tendo mesmo estado à frente dos destinos do Mestrado da Ordem de Cristo e foi agente directa da Epopeia dos Descobrimentos, tendo colaborado activamente com D. João II.

Para melhor conhecer esta personagem, leia a excelente obra de Fina d'Armada «O Segredo da Rainha Velha».


Fotografia: Janela onde (reza a história) séculos mais tarde Mariana Alcoforado olhava a planície alentejana e onde se inspirava para escrever as suas «Cartas Portuguesas».

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Em Mértola, pode ouvir falar ...


Rume a Mértola um dia ...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Trans-ferir de Vitor Oliveira Jorge


Deixo aqui hoje a referência do Trans-ferir, do Professor Doutor Vitor Oliveira Jorge, que tive a sorte de conhecer como Professor de Mestrado na Universidade do Porto, por aquilo que de si deu e dá através da sua vasta obra e também com o seu blogue.
Fazendo o repto que, com ele, se passe aqui também a falar de «Paisagens de Barro e de Pedra», esses dois materiais que se moldam e se cinzelam até que se produza a marca humana no território.
Falaremos de sítios, de lugares e das sensações que nos deixaram os espaços, as topografias, as paisagens.
Dialogaremos sobre o Tempo que moldou o Homem e o Homem que moldou o Espaço.
Ele no Norte e eu, aqui, ao Sul, neste lugar.
Fotografia: Povoado Calcolítico de S. Vitória de Campo Maior